
Saiu uma reportagem no "Jornal Hoje" falando do escândalo causado por uma Árvore de Natal em Florianópolis, capital de Santa Catarina, que custou três milhões e setecentos mil reais.
O motivo da confusão, não é a despesa que foi gasta para a construção da árvore, mas o seguinte: "Para escapar da licitação, a prefeitura de Florianópolis alegou que só uma empresa, a Palcosul era capaz de montar o projeto. Mas o Ministério Público descobriu que ela terceirizou a obra e contratou outras duas empresas que construíram tudo por menos da metade do preço. Além disso, a árvore que deveria ter 60 metros de altura ficou com oito metros a menos. A justiça suspendeu o contrato e os pagamentos. A prefeitura recorreu. "
A árvore esse ano é a iluminada por LED´s, que proporcionam uma economia de 70% de energia, e o Secretário Municipal de Turismo, Mário Cavallazzi, diz que com ela serão atraídos turistas de todos os cantos do país e até do mundo.

Tomo essa situação como exemplo para retratar o absurdo que pode ser analisado em épocas festivas: o gasto de prefeituras com a ornamentação das cidades.
Tudo bem que a cultura é essencial, que o investimento na área turística é de grande importância para a economia do local. Mas daí chegar a gastar quase quatro milhões em uma árvore de natal ao mesmo tempo em que milhares de brasileiros vivem em situações precárias, sem nenhum apoio nas áreas de saúde, educação, saneamento básico, tendo o mínimo de alimentação diária... Francamente!
Essa realidade também está perto de nós, onde também foi “investido” um valor bastante pomposo para a decoração das ruas recifenses.
E as crianças que não terão o que comer na noite de Natal? Elas sequer têm o direito de sonhar com “o bom velhinho” que irá trazer os presentes, e colocar nas meias penduras em suas casas (muitas sequer têm uma casa!). Será que elas saciarão a fome contemplando os enfeites pendurados nas praças, ou então o frio que elas sentem durante a noite será aquecido pela iluminação dos pisca-piscas?
Creio que o Espírito Natalino é bem mais do que as coisas materiais que irão ser descartadas depois desse período, e o que verdadeiramente importa é o bem-estar das pessoas, para que elas possam compartilhar a alegria dessa época com condições melhores de sobrevivência.